intro

Neste momento, estou estudando para um concurso público. Prefiro não revelar o cargo porque, mesmo que ninguém leia isto, é uma pressão a menos. Evito aquela necessidade de dar satisfações ou ouvir as clássicas perguntas: ‘saiu o edital tal, vai fazer?’ ou ‘já passou?’

Enfim, é uma ansiedade chata… é só ler o ambiente, se eu tivesse passado, já estaria soltando fogos e não estudando.

Mas aqui estou, acho que quero tirar as ideias flutuantes da cabeça para estabelecer o meu arquétipo de estudos, como eu estudo para exames competitivos, a minha visão sobre o aprendizado, e como vou me desdobrar. Existe uma coisa que, no meu ver, pra dar maior tranquilidade, é a necessidade de escrever. Do momento que eu escrevo e coloco as palavras no papel (mesmo que seja digital), estou tirando esse processo de forma solta da minha nuvem de pensamentos, e ancorando, e possivelmente até mesmo podendo refletir melhor.

Pois, essa será a primeira vez, em muitos anos, que eu vou ter uma visão do meu modelo de estudos, de como eu aprendi e como eu me adaptei com as tecnologias que foram surgindo.

redes sociais

Para mim, se você quer estudar seriamente, as redes sociais são o maior mal e não vale a pena fazer parte delas.

Não importa a desculpa que se use, mas usar para redes sociais não é benéfico e muito pelo motivo da própria razão de existência das redes. Talvez, um dia eu desabafe o meu desgosto sobre a ideia da mercadoria e do produto, mas infelizmente… estudar, não é um prazer de natureza sem expectativa de retorno, e sim, estudamos com a expectativa de obter melhores condições, de ascensão social, e como muitos memes existentes: “escolhi a vida pra vencer pelos estudos”.

O maior problema desse meio e não vou entrar na questão da estética dos ambientes perfeitos de estudo, que sempre leva ao consumo: de ter o melhor tablet (é necessário?), de ter uma mesa com os últimos itens de papelaria, a caligrafia dos sonhos, e etc. Não é nem por isso e isso seria uma crítica para outra hora.

Agora, o maior problema, é a venda do sonho e isso aqui é cruel. É um mercado, que charlatões, coaches, cursinhos, tentam e empurram goela abaixo que seus métodos (caros) são únicos e a solução para você: é o melhor material, é o melhor método, é a melhor cobertura, é a melhor turma. E se você não passar, a culpa é sua, do indivíduo. Pois na jornada do herói, sempre tem a história de um iluminado entre milhares, que conseguiu, e se >até ele< conseguiu, você não consegue por que é preguiçoso, procrastinador, uma falha.

Esse mercado é nojento, e sua falta de regulação, é mais cruel ainda. Eles vendem um sonho, onde estarão do seu lado se tiver sucesso, mas na sua falha, a sua falha é inequivocadamente individual. Enfim, dito isto, eles tem propaganda a torto e à direita, não tem como fugir, em algum momento você vai esbarrar e isso será o caminho da sua ruína, pois vai colocar uma dúvida na sua cabeça: “será que estou estudando do jeito certo?“.

estudar

Estudar tem jeito certo? Minha resposta: não.

Em algum momento eu vou divagar sobre isto, mas estudar é algo particularmente pessoal. Pois entendemos o mundo de maneira diferente, e logo codificamos as coisas de forma muito diferente. Um exemplo disto, é o próprio aspecto das cores, e embora não tem nada a ver, mas tem a ver.. deixo o site a seguir para dar uma olhada: Is my blue, your blue?.

Se as próprias cores nós codificamos diferentes, imagina a informação. Então estudar é um processo solitário, repetitivo, individual de tentativa e erro, onde é imprescindível: consumir um conteúdo, praticar esse conteúdo, entender os erros e praticar incessantemente, cobrindo os erros, e principalmente buscar entender onde a sua interpretação entendeu errado para corrigir seus erros.

Não tem como fugir disto. Agora a maneira como vai fazer esse processo, é independente e estritamente pessoal. De novo, codificamos a informação de maneira particular e diferente uns dos outros, e aqui vou deixar o meu processo.

processo

Para provas competitivas, eu busco olhar aquilo que é o meu objetivo: acertar questões.

E isso, é muito importante. Pois só nesse ponto, já difere de um estudo pra graduação, pra mestrado, para pós-graduação, para aprender algo por genuína curiosidade. Provas competitivas, a história é contada por quem acerta mais questão.

Então, e isso é uma coisa que eu carreguei comigo na faculdade de engenharia, é estudar por questões. Eu aprendo no erro. Acertar por acertar, me dão sono nas minhas sessões de estudo, é tudo muito passivo, ou de certa forma, fácil.

Então aqui, eu já consigo deixar que eu preciso de: questões e uma dificuldade que não me deixe num estado de facilidade, eu preciso me sentir desafiado pra eu aprender, pra eu ter o tato que aquilo é importante pra eu aprender com o objetivo de acertar questões.

Num mundo ideal, teria alguém especialista no assunto que estou estudando, para o momento de dúvida ou de desconhecimento do assunto, ter como auxílio de onde estudar, ler, me familiarizar com o assunto ou de reler para sanar dúvidas.

Mas, esse mundo ideal não existe, não sou rico, e aí eu uso a ferramenta do NotebookLM. De todas as ferramentas que inventaram sobre IA, esta pra mim é, possivelmente, uma das únicas que realmente causaram uma revolução.

Tenho um caderno para cada disciplina estudada, e estabeleci um prompt para atuar especificamente como um especialista no assunto. Disponibilizarei uma parte do prompt a seguir:

AJUDA DIRETIVA (SCAFFOLDING):
Se o usuário travar, errar ou não souber avançar, seja DIRETIVO. Não faça perguntas vagas. Informe exatamente onde a resposta está nas fontes (Ex: "A base para resolver isso está no Documento [Nome], Capítulo [X], Seção [Y]"). Peça para o usuário ler essa seção específica, relatar o que entendeu e tentar aplicar à questão novamente. Avalie o entendimento a partir daí.

Acho que a leitura do prompt, para cada caderno, reforça que eu não transfiro para o NotebookLM a tarefa de pensar, mas o coloco para atuar como um especialista no assunto que me force a ler, compreender o assunto, explicar o que eu entendi daquela questão.

E isso pra mim, entra como ferramenta poderosa. Pois o grande ponto não é estudar só para acertar questões. O estudo é sempre olhando para o retrovisor de questões que não se repetiram mais, então ao estudar eu preciso dominar o assunto, pois se for cobrado aquele assunto, independente de valores, números ou condições, eu tenho que acertar.

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